Por Rodrigo Priesnitz*
Pérola tem aproximadamente 12 mil habitantes e fica na
região Noroeste do Paraná. Foi colonizada por uma companhia inglesa, a
Companhia Byington. Seu nome é uma homenagem à matriarca da empresa, Pérola
Ellis Byington. A principal atividade econômica está na facção de vestuário,
notadamente o jeans, enquanto a produção agropecuária tem seu forte na expansão
da fruticultura.
A cidade, como muitas do interior do Paraná, também abriga uma
considerável comunidade de migrantes. Gente que foi tentar a vida na cidade
grande, principalmente São Paulo, obteve sucesso na carreira escolhida,
conquistou a aposentadoria e depois voltou a morar nas cidades do interior,
mais pacatas, seguras e com bom IDH.
O bom momento da economia nacional ajudou a vida melhorar em
Pérola. Como no resto do Brasil, as famílias voltaram a planejar a aquisição da
casa própria, em muito incentivadas pelas boas notícias de financiamentos e
subsídios do “Minha Casa Minha Vida”. Alguns problemas também vieram na
bagagem. A especulação imobiliária fez os preços dos imóveis dispararem. A
solução para os moradores que enfrentavam as mesmas dificuldades foi encontrada
na união em torno do sonho e assim eles formaram uma cooperativa de habitação.
Já se passaram quatro anos desde que a cooperativa foi
fundada. No início as dificuldades estavam mais em vencer os preconceitos ao
cooperativismo habitacional do que propriamente em organizá-la. Para conferir,
fui ao mestre Google e pesquisei “cooperativa habitacional”, pronto: uma acachapante
maioria dos resultados trouxe as notícias ou páginas que criticavam ou denunciavam
o modelo. Mas é claro, ele incomoda aos especuladores.
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| Imagem do 1º Loteamento da COOHAPE |
“Nem tudo foram
flores”, diz Martiniano Ribeiro França, o Presidente da COOHAPE – Cooperativa Habitacional
Perolense. “Tivemos muita resistência por parte dos especuladores e algumas
dificuldades burocráticas para legalizar o loteamento, mas hoje já conseguimos
imaginar a beleza do jardim que estamos cultivando”, conclui. Martin, como é
conhecido, é um desses migrantes. Fundador do PT e da CUT, depois que se
aposentou como metalúrgico na grande São Paulo voltou para Pérola, onde recebeu
do povo um mandato de vereador pelo PT.
Quanto aos resultados da experiência, é preciso que cada um
faça sua própria leitura. O primeiro loteamento, liberado em fevereiro de 2013,
tem 121 mil m² de área total e já conta com pavimentação, redes de distribuição
de água potável e energia e galerias pluviais, custos operacionais e
administrativos, tudo garantido com recursos próprios da cooperativa. Cada
terreno custou aos cooperados R$ 10.845,00. São 285 sócios e alguns já
começaram a construir. As tratativas para que os cooperados possam contar com
as linhas oficiais de crédito habitacional já estão avançadas. Para uma melhor
comparação o preço de um terreno do mesmo tamanho em loteamentos privados da
cidade não sai por menos de R$ 40.000,00.
Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, os cooperados são unânimes em declarar: “Valeu a pena! E não é só pelo preço dos imóveis. Para organizar um projeto assim, mudanças são necessárias. É preciso reaprender muitas coisas. Vida em comunidade, senso de bem comum e respeito ao indivíduo precisam ser construídos por todos”, finaliza Martin.
Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, os cooperados são unânimes em declarar: “Valeu a pena! E não é só pelo preço dos imóveis. Para organizar um projeto assim, mudanças são necessárias. É preciso reaprender muitas coisas. Vida em comunidade, senso de bem comum e respeito ao indivíduo precisam ser construídos por todos”, finaliza Martin.
*Rodrigo Priesnitz é Tecnólogo em Gestão Pública, militante e filiado ao Partido dos Trabalhadores e experimenta a atividade de Blogueiro Sujo.


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