sexta-feira, 22 de março de 2013

Projeto habitacional comunitário é sucesso em Pérola/PR


Por Rodrigo Priesnitz*

Pérola tem aproximadamente 12 mil habitantes e fica na região Noroeste do Paraná. Foi colonizada por uma companhia inglesa, a Companhia Byington. Seu nome é uma homenagem à matriarca da empresa, Pérola Ellis Byington. A principal atividade econômica está na facção de vestuário, notadamente o jeans, enquanto a produção agropecuária tem seu forte na expansão da fruticultura.
A cidade, como muitas do interior do Paraná, também abriga uma considerável comunidade de migrantes. Gente que foi tentar a vida na cidade grande, principalmente São Paulo, obteve sucesso na carreira escolhida, conquistou a aposentadoria e depois voltou a morar nas cidades do interior, mais pacatas, seguras e com bom IDH.
O bom momento da economia nacional ajudou a vida melhorar em Pérola. Como no resto do Brasil, as famílias voltaram a planejar a aquisição da casa própria, em muito incentivadas pelas boas notícias de financiamentos e subsídios do “Minha Casa Minha Vida”. Alguns problemas também vieram na bagagem. A especulação imobiliária fez os preços dos imóveis dispararem. A solução para os moradores que enfrentavam as mesmas dificuldades foi encontrada na união em torno do sonho e assim eles formaram uma cooperativa de habitação.
Já se passaram quatro anos desde que a cooperativa foi fundada. No início as dificuldades estavam mais em vencer os preconceitos ao cooperativismo habitacional do que propriamente em organizá-la. Para conferir, fui ao mestre Google e pesquisei “cooperativa habitacional”, pronto: uma acachapante maioria dos resultados trouxe as notícias ou páginas que criticavam ou denunciavam o modelo. Mas é claro, ele incomoda aos especuladores.
Imagem do 1º Loteamento da COOHAPE
 “Nem tudo foram flores”, diz Martiniano Ribeiro França, o Presidente da COOHAPE – Cooperativa Habitacional Perolense. “Tivemos muita resistência por parte dos especuladores e algumas dificuldades burocráticas para legalizar o loteamento, mas hoje já conseguimos imaginar a beleza do jardim que estamos cultivando”, conclui. Martin, como é conhecido, é um desses migrantes. Fundador do PT e da CUT, depois que se aposentou como metalúrgico na grande São Paulo voltou para Pérola, onde recebeu do povo um mandato de vereador pelo PT.
Quanto aos resultados da experiência, é preciso que cada um faça sua própria leitura. O primeiro loteamento, liberado em fevereiro de 2013, tem 121 mil m² de área total e já conta com pavimentação, redes de distribuição de água potável e energia e galerias pluviais, custos operacionais e administrativos, tudo garantido com recursos próprios da cooperativa. Cada terreno custou aos cooperados R$ 10.845,00. São 285 sócios e alguns já começaram a construir. As tratativas para que os cooperados possam contar com as linhas oficiais de crédito habitacional já estão avançadas. Para uma melhor comparação o preço de um terreno do mesmo tamanho em loteamentos privados da cidade não sai por menos de R$ 40.000,00.
Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, os cooperados são unânimes em declarar: “Valeu a pena! E não é só pelo preço dos imóveis. Para organizar um projeto assim, mudanças são necessárias. É preciso reaprender muitas coisas. Vida em comunidade, senso de bem comum e respeito ao indivíduo precisam ser construídos por todos”, finaliza Martin.

*Rodrigo Priesnitz é Tecnólogo em Gestão Pública, militante e filiado ao Partido dos Trabalhadores e experimenta a atividade de Blogueiro Sujo.

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