segunda-feira, 6 de maio de 2013

Os dez anos que mudaram o Brasil e as dores da mudança

por Rodrigo Priesnitz*


Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...”

Oswaldo Montenegro compôs a canção A Lista para a peça homônima no início dos anos 2000, segundo ele próprio “simultânea à chegada dos cabelos brancos”. Um espetáculo agradável, porém profundo e sempre atual, com seus dilemas humanos expostos em todos os atos. Tal qual o conselho do artista, já escrevi e reescrevi minhas listas por diversas vezes. O resultado é sempre parecido, no final das contas, entre avanços e reveses, as coisas mudaram muito e para melhor.

O inegável êxito do governo democrático popular do PT, e dos partidos aliados, principalmente nas áreas diretamente ligadas à qualidade de vida das pessoas, precisamente daquelas que ascenderam socialmente, constituiu uma conjuntura favorável aos recordes de apoio popular, não somente aos governos, mas às figuras de Lula e Dilma e ao principal partido da base, o PT.

Os bons resultados da economia aliados ao sucesso nas políticas de aumento e distribuição de renda e combate à fome e a miséria são a sustentação social e política destes governos. Em contrapartida, quase todos os movimentos feitos pela oposição (leia-se partidos políticos, oligarquias e velha mídia) até o momento, em que pese terem conseguido derrubar algumas peças importantes, não causaram prejuízo inabalável ao governo, senão algumas vezes à própria nação, como nos casos em que falsas notícias causaram impactos financeiros negativos nas bolsas de valores ou queda das ações de algumas estatais.

Tudo isso causa uma dor tão profunda nestas elites que, incapazes de superar seu orgulho de quatrocentos anos, não enxergam na democracia um regime que as represente. Sem um discurso estadista que possa encantar os eleitores com “algo melhor ao que está aí”, ou mesmo empolgar o que ainda resta da militância, os caciques da direita tentam reconstruir as fórmulas de sucesso que determinaram o suicídio de Getúlio Vargas, a eleição e a renúncia de Jânio Quadros e o golpe que derrubou João Goulart. Como naqueles dias entoam altos brados sobre um surreal “mar de lama que assola a nação". Assim é, que tal qual uma doença degenerativa, empregam-se regradamente as táticas obscurantistas e terroristas que marcaram o segundo turno das eleições em que Lula derrotou José Serra em 2002.

Já no início de 2013 a oposição acusou o governo de antecipar o debate eleitoral de 2014, algo kafkaniano, uma vez que um governo que ostenta índices de aprovação superiores a 70% e o principal partido dispõem de uma candidata igualmente bem avaliada e, melhor, já amplamente reconhecida pelos brasileiros como administradora capaz e determinada, não teriam interesse em adiantar o debate eleitoral e dar a oportunidade de postulantes sazonais saírem de suas penumbras. É inequívoco que a antecipação do debate eleitoral apenas interessa aos opositores. No entanto, é interessante observar que estas oposições se negam a debater índices, resultados e comparações e preferem criar, elas mesmas, algumas bandeiras. É como se a surrealidade do “mar de lama” pudesse transformar-se em um monstro ainda mais dantesco.

Não podendo debater com o governo no terreno de um projeto de nação e de inclusão, seus partidos de sustentação e suas lideranças incorporam Dom Quixote, que enxergava moinhos de vento e feirantes de tomate como dragões e vilões a serem abatidos. A diferença é que não contam com a simpatia, a galhardia e a popularidade do herói de Cervantes.

Desesperada e sem bandeiras a oposição busca uma tábua de salvação ao conflagrar contra o que
denominaram de “ditadura gay”, na diminuição da maioridade penal como “brilhante ferramenta de combate à violência” ou no terror da questão indígena. E claro, sempre contando com amplo apoio e espaço na velha mídia, que torpedeia as mentes incessantemente. 


Para ver-se livre dessa pressão, já que não existe remédio milagroso como as gotinhas preciosas de nossa infância, é preciso por a cachola para funcionar. Faça como Oswaldo Montenegro. Uma lista. O que proponho não é demorado e pode nem doer. Faça uma lista de tudo que mais lhe incomoda na sociedade e compare com a situação de dez anos atrás. Tire suas próprias conclusões. Mas fique atento, pois se você estiver contaminado por velhos preconceitos, "mudar dói, mas não mudar dói muito”.





*Rodrigo Priesnitz é Tecnólogo em Gestão Pública, militante e filiado ao Partido dos Trabalhadores e experimenta a atividade de 
Blogueiro Sujo.

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