Por Luiz Carlos Azenha
Existe um paralelo entre a onda de estupros na Índia e a violência contra as mulheres que testemunhei no Amapá mas que existe em todo o Brasil. As sociedades na era da informação mudam muito rapidamente e os homens não se conformam com a quebra de hierarquia representada pela visibilidade política das mulheres, gays, etc. E tome o pastor Feliciano para dar um sentido político e religioso à reação, construindo artificialmente um discurso de nós contra eles em que ELES são demonizados e satanizados, como se colocassem em risco a existência do mundo. 0 discurso milenarista funciona porque mobiliza as pessoas como se a própria sobrevivência delas estivesse em jogo, quando o que se tenta perpetuar é uma sociedade hierarquizada, excludente, antidemocrática e intolerante à diversidade. No Amapá encontrei alguns gaiatos supostamente bem informados -- homens, naturalmente -- dizendo que as mulheres do Norte do Brasil são sexualmente precoces e que isso está na origem da violência e dos abusos que elas sofrem. Foi preciso uma delegada de polícia para colocar ordem na casa: "Ah, gente, parem de tentar culpar a vítima. É o machismo que dá a vcs a crença de que são donos das mulheres". Boa!
PS: A direita vai dizer que a culpa é do Lula, que deu o cartão do Bolsa Família na mão das mulheres!

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