Do Terra Magazine
Oque faria uma conferência mundial sobre novas tecnologias agrícolas ser realizada no Rio de Janeiro e não em Sorriso (MT), município que em 2011 obteve o maior valor bruto de produção do País, R$ 1,9 bilhão, segundo o IBGE?
Deixa de ser óbvio, ó blogueiro, diria o sabido internauta.
Apesar de o estado do Rio de Janeiro ocupar a 21ª colocação entre os contribuintes da produção agrícola nacional, quando instados a escolher, como deveriam se manifestar os senhores Kulkarani, da Índia; Torben, da Alemanha; Haihong, da China; e Peulens, da Bélgica?
Os milhares de decalitros de caipirinha e chope consumidos nos quiosques à beira-mar e as passistas de escola de samba que se apresentaram no coquetel de recepção podem responder.
Praticamente todos os produtos e manejos apresentados no evento partem de um conceito que hoje se estende pelos campos de semeadura do planeta.
Tratamentos convencionais, à base de agroquímicos e massivamente usados nos últimos 60 anos enfrentam um processo de autofadiga, o mesmo que também provocaram.
Cansaram o solo, agrediram o meio ambiente e foram percebidos pela ciência. Únicos, intensivos e caríssimos, fizeram a sociedade e os mercados perceberem que não devem mais ser exclusivos.
Isso tem feito crescer uma terceira via que une ciência e natureza.
Pode-se, seguramente, aumentar e melhorar a produção agrícola, gastando menos dinheiro, terra, água e equipamentos.
Para os poucos que me seguem em Terra Magazine, antes nas colunas e agora no blog, isso não deve ser novidade. Assisto à gestação dessas tecnologias e alerto para suas existências há quase quatro anos.
Evito dizer que substituem totalmente o uso dos fertilizantes químicos e agrotóxicos. O volume de produção de alimentos, fibras e energia renovável hoje exigido pela humanidade não o permitiria.
Mas não hesito em afirmar que possibilitam a redução de volumes importantes desses usos.
Qualquer organismo, planta e solo em nosso caso, que ao longo da vida cuidam de sua resistência e se tornam fortes precisam de menos remédio e podem se alimentar de forma mais equilibrada.
Ficam menos vulneráveis a estresses como o hídrico, de temperatura, pragas e doenças. Além disso, obtêm parte de sua nutrição daquilo que já é disponível no solo.
Há miríades desses produtos no planeta. Fabricados em diversos países, desenvolvidos e pesquisados nas melhores instituições e universidades.
São disponíveis no Brasil, embora muitas vezes intransponíveis ao consumo, diante das barreiras que autoridades da agricultura e sanitárias colocam para seus fabricantes.
Todos os anos, novas leis (como anda a 6913?) e promessas são feitas para lubrificar esse ferro-velho burocrático. Nada acontece. Pior: faz sua disseminação ocorrer por jeitinhos e disfarces nada sérios.
Já assisti a exposições de técnicos do próprio MAPA dizendo que para cada 100 produtos registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, apenas quatro são de natureza orgânica e capacidade redutora do uso de agroquímicos.
A 11ª Conferência e Exibição para a Nova Agricultura, que aconteceu no Rio de Janeiro, na semana passada, quer saber o porquê disso.
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